Ando desde quarta-feira para partilhar um pensamento que me surgiu depois de ter estado nas comemorações de umas Bodas de Prata. Enquanto estava na igreja e depois de ouvir aqueles cânticos de inspiração cristã, percebi que a Igreja Católica está a deixar passar em branco algo que pode ser considerado uma negação à divulgação cultural do nosso país.
É certo que não temos Mosteiros dos Jerónimos, Conventos de Mafra e Carmo, Igrejas de São Roque, ou quaisquer outras mais ou menos conhecidas por todo o país e que reúnam as condições óptimas de acústica ou conforto, mas a avaliar pelo número de igrejas espalhadas, estas seriam uma boa forma de proporcionar aos menos afortunados, oportunidades únicas de lazer e cultura, pois encontra-se mais facilmente uma igreja ou capela do que um pavilhão polivalente.
Esta seria, certamente, uma outra forma de proporcionar serviço público, levar junto das pessoas, que naturalmente procuram estes espaços, quer por identidade quer por tradição de encontro diário ou semanal, espectáculos, palestras, acções de sensibilzação, que normalmente só se promovem e encontram nas cidades.
Não defendo aqui um casamento entre a igreja e a promoção massificada da cultura, acredito sim que esta poderia ter um papel mais activo na formação pessoal (leia-se, cultural) de milhares de pessoas que continuam a ter, unicamente, a estereofonia como companhia.
Lembro-me entretanto que: os Madredeus fizeram algumas das suas primeiras apresentações na Igreja de Madre de Deus (perto de Lisboa) e que inclusivamente (e julgo não estar a cometer lapso) gravaram aí algumas músicas e que vi em Pombal, na minha pré-adolescência um concerto de música clássica, por um quarteto de sopro e cordas, que me proporcionou uma noite fantástica e única, visto ter tido aí a primeira oportunidade de bater palmas dentro de uma igreja!
Não é portanto uma perturbação de raciocínio é sim uma perturbação para raciocinar.
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