Mais uma vez fui na minha viagem quinzenal, por aí a baixo rumo a sul. Por uma questão de poupança opto quase sempre em ir pela estrada nacional e desta vez o cenário com que me deparei foi deveras diferente. Como é sabido os portugueses têm uma fé muito “apurada”, principalmente aqueles que vão todos os dias à missa e logo depois de passar a porta da igreja vestem a sua pele de pecador e logo de seguida começam a comentar a vida alheia. Mas não é sobre estes cristãos que falo, é sobre aqueles que todos os anos se lançam em mais uma aventura, ou melhor em mais uma promessa. Falo dos peregrinos. O destino é fácil de calcular, Fátima, o prometido novo concelho de Portugal, aquela terra que viu Maria por diversas vezes e que viu também mudar o nome de região de Turismo…só por causa de Fátima.
Devo dizer que foi uma viagem impressionante, quer pelo número de pessoas por quem eu passei quer pelo modo como as mesmas se apresentavam, umas com vestidos de domingo!, outras vestidas à rigor de promessa (sandália, calção, mochila, colete e um pau), outras quase sem roupa ou então umas sozinhas, outras com toda a família, outras com os respectivos filhos ou simplesmente com @ companheir@, ou então a arrastarem-se já sem poder andar, outros em ombros, outros com as pernas repletas de ligaduras, outros ainda a correr, outros ainda cheios de força para andarem mais uma centena de quilómetros, eu sei lá…imaginem!
Mas não fica por aqui. É que falar de peregrinos envolve, obrigatoriamente, todo um staff que fazia inveja a qualquer prova organizada. Mas desorganizados estavam eles todos. Era visivel ao longo da estrada dezenas de viaturas paradas na berma da estrada, umas sinalizadas, outras paradas em sentido contrário à marcha, outros sinalizadas, outras então em comitiva!
E a segurança de toda esta fé? As pessoas, e não condeno a sua vontade espiritual, arriscam as suas vidas no sentido de poderem cumprir as suas promessas ou então a promessa de alguém (também acontece!), mas não seria um acto de coragem se a Igreja Católica olha-se para estas pessoas de uma forma diferente e quem diz a Igreja diz também o próprio Estado. Digo que durante a viagem não vi uma Brigada de Trânsito ou uma simples ambulância! Não é estranho? Não é estranho que a todas estas pessoas que vão gerar uma riqueza de milhões não seja dada uma assistência capaz, responsável e digna? Porquê?
Serão as pessoas na sua humilde fé exploradas, não se podiam pensar em trilhos próprios para que assim andassem em segurança nas estradas?
Talvez, talvez pensar seja uma iluminação divina que esteja atrasada em algumas mentes.
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