Virgílio meu amigo
não me ouves
mas és meu amigo.
que dom te deram
e porque se esqueceram de mim?
que prazer tinhas,
que pensamento de acompanhava,
que maravilha te iluminava,
que paz te preenchia,
que inquietação te prendia
às folhas de papel que tu tão bem ilustravas.
serias génio na tua humildade
ou humilde na tua genialidade?
e a tua vida como foi ela?
Bela, crua ou insatisfeita?
A nossa existência fascinava-te
e tu dormias com ela, sempre viva, admirável.
querias responder para te achares
e narravas os teus passos
em jeito de ficção, realidade e perplexidade.
é bom ter-te como amigo,
passas a fronteira do desaparecido
para viveres em harmonia com o sujeito,
é belo o teu ritmo e cadência.
também tu ofereces novos mundos ao mundo,
é esse o papel de um homem
não ser um número, mas ser possuidor de um nome
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